quarta-feira, 2 de setembro de 2015

CINÉTICA MUSICAL



  

   Cinética Musical é o termo referente aos andamentos. Cinética quer dizer simplesmente movimento. Tradicionalmente usamos o termo para nos referir ao pulso predominante durante determinada obra musical. Estes, como se percebe facilmente mesmo por um leigo em música, podem ser lentos, muito lentos, rápidos, moderados ou muito rápidos, e costumam estar definidos (escritos) - direta ou indiretamente - pelo compositor na partitura musical.
Historicamente, tais andamentos foram marcados também por estados emocionais, como se nota por alguns termos oriundos da classificação terminológica clássica italiana, esta tem o "andante" como principal referência. O andamento obedece uma certa periodicidade, podemos aqui fazer uma metáfora corporal: essa periodicidade segue uma correspondência entre as escalas sonoras e as escalas corporais com as quais medimos o tempo. Porque o complexo corpo/mente é um medidor frequencial. Nossa relação com o Universo e a música passa por padrões de pulsações somáticos e psíquicos, no nível somático, temos principalmente o pulso sanguíneo, a respiração e o andar. O termo "andante" está exatamente no meio de um espectro, se consideramos este como uma espécie de escala do pulso, que vai desde os andamentos mais lentos, como o "grave" e o "adágio", passando pelos andamentos medianos (moderado, andantino) até os muito rápidos como allegro e presto, que consistiria num estado de espírito mais 'agitado'. O termo "allegro", escrito por vezes no início da partitura quer dizer simplesmente "alegre", algo que seja mais rápido que um natural andamento da marcha do ser-humano em um caminhar equilibrado (andante). Segundo o professor José M. Wisnik: um teórico do século XVIII,  sugeriria que a unidade prática do ritmo musical, o padrão regular de todos os andamentos, seria "o pulso de uma pessoa de bom humor, fogosa e leve, à tarde." (citado do livro 'O Som e o Sentido, p. 17).
      Assim, concluímos que  não há uma precisão metronômica sobre cada andamento, até porque  isso foi e continua sendo uma construção de cada contexto e épocas históricas distintas, ou seja, tudo isso é relativo, tendo como absoluto somente a ideia de PULSO, que permeia toda história das músicas no tempo e na história da humanidade, tanto no mundo ocidental, quanto oriental, nas suas mais variáveis formas e culturas. Vale ressaltar que o metrônomo é uma invenção do início do século XIX, e é uma forma de 'mecanização' do tempo. A ideia de pulso já pode ser encontrada em tratados gregos antigos sobre música, assim como os termos 'teoria' e 'harmonia', que herdamos também do pensamento grego. Pitágoras foi um dos pioneiros a teorizar sobre o pulso, assim como seus desdobramentos e consequentemente criar uma ideia de FREQUÊNCIA recorrente, que seguindo uma lógica de PROPORÇÕES teorizaria o que desembocou na questão da Escala Pentatônica, uma escala seguindo a lógica harmônica do ciclo de quintas, é considerada 'primitiva' e ontológica, é encontrada em praticamente todas as culturas musicais por todo o mundo, desde a China e Japão antigos, na música tradicional indiana, nos tambores da África e no canto medieval do Ocidente cristão. (Aprofundaremos o tema em outro tópico sobre a escala pentatônica e sua relação com distintas culturas).
Mesmo não havendo uma precisão metronômica em relação aos andamentos, que é algo um tanto subjetivo e variável na história, há certo consenso entre os músicos ocidentais e os livros de Teoria Musical, que costumam assim dividi-los:

LENTOS: grave, largo e adágio - 40 a 60 BPM (batimentos por minuto com semínima como referência de unidade de pulso)
MÉDIOS: Andante, andantino, moderato e alegretto (60 a 120 BPM)
RÁPIDOS: allegro, vivace, presto e prestíssimo (120 a 210 BPM)


REFERÊNCIAS: 

WISNIK, José M. O Som e o Sentido. Companhia das Letras, 1989.
MED, Bohumil. Teoria da Música. 3ª Edição. MusiMed.






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