segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A MÚSICA E SEUS EFEITOS SUTIS NO CORPO DO HOMEM









     Música é uma forma, opção, dentro do mundo desequilibrado que estamos testemunhando, o mundo de Final de Ciclo. É uma opção, relativamente, acessível que temos ao nosso alcance para diminuir nossas tensões e angústias.
Aqueles que têm contato regular com os nossos meios de comunicação acabam descobrindo uma forma de buscar a música adequada ao seu lazer e a sua tentativa de reequilíbrio. Nós temos as emissoras de rádio FM, que transmitem um som relativamente bom, isto é, bom em termos técnicos. Então, é a música um meio relativamente barato. Temos um mercado fonográfico variado e acessível, que nos possibilita a compra de CDs. Até, intuitivamente, acabamos por encontrar o reequilíbrio que vínhamos procurando. Na busca da música, o indivíduo acaba por assistir a um concerto, que acreditamos ser um dos primeiros passos para se conhecer o grande valor que ela encerra, porque, num concerto ao vivo, estabelece-se uma forma de empatia muito grande entre a plateia e o executante. Ao presenciá-lo, pode o indivíduo participar do manancial de vibrações ali geradas, o que vem despertar, dentro de si, um sentimento de prazer elevado, que poderá criar até um vínculo definitivo com a música. Vê, então, o indivíduo, superada dentro de si, aquela tão comum impressão de monotonia e até de sono, característica daqueles que, ainda, não aprenderam a apreciá-la. Isso é um fato muito comum, e nós o testemunhamos muitas vezes. Numa instância final, após assistir àquele concerto, àquela execução, passa o indivíduo a vibrar na mesma sintonia. Começa, então, a valorizar o que já ouviu e passa a buscar uma forma, digamos, mais aprimorada ou racional de direcionar esse prazer, essa sua busca de reequilíbrio, já que é essa a nossa proposta no geral.
Ao falarmos de música, temos de citar, inicialmente, o Som, porque, obviamente, ela nada mais é que um conjunto organizado de Sons. Sabemos que o Universo foi criado através deles. Todas as tradições religiosas e filosóficas estão de pleno acordo quanto a isso. Sabemos que o Eterno expressou o Seu poder criador por meio de vibrações sonoras. Então, todas as Tradições mencionam os Sons Sagrados, que construíram algo, de cima para baixo e se formando nos diversos planos da Natureza, dos mais sutis aos mais grosseiros. A Tradição da Índia, por exemplo, refere-se ao OM, o Som Sagrado, que remonta ao aspecto criador do Supremo Arquiteto. Temos aqui um ensinamento dos VEDAS, mais especificamente dos Katha Upanishad, que vem pautar, filosoficamente, aquilo que pretendemos expressar: “O Bom é uma coisa; o voluptuosamente agradável é outra. Os dois diferem em suas metas, mas ambos estão prontos para ação. Abençoados são os que escolhem o Bom; os que escolhem o voluptuosamente agradável erram o alvo”. Tanto o Bom quanto o agradável se apresentam aos homens. Depois de examiná-los, os sábios distinguem um do outro: “O Sábio prefere o Bom ao agradável; o tolo, levado pelos desejos da carne, prefere o agradável ao Bom”.
Voltando a falar dos Sons criadores nas Tradições, nas Civilizações mais antigas, tudo isso era levado muito em consideração. Como já nos referimos, o OM, na filosofia indiana, e, hoje, na nossa, é o início de tudo. Tudo que existe no Universo advém dessa simples palavrinha: OM. Então,
perguntarão: “Se tudo vem do OM, ao pronunciá-lo, estaríamos criando coisas?”. Realmente, e aí está um grande mistério, um grande segredo, que chamamos o poder do Mantran. É o poder de se pronunciar corretamente o Som, de tal forma, que ele possa criar algo. Aquele que encontrar essa
chave deverá, obviamente, adquirir muito poder. A grande dificuldade é que tal trabalho interno, a Iniciação, é o exercício de uma difícil Magia, que, somente, poucos conseguem dominar. Na Índia, então, tudo o que se referia a Som era feito levando-se em conta a consonância com o OM.
Na China, havia, em correspondência à palavra OM, o Huang-Chuang. Tudo o que se fazia, em termos de Som e Música, estava em consonância com o Huang-Chuang, que, literalmente, significa “sino amarelo”. Toda a manifestação sonora, realizada na China, em épocas passadas, levava isso
em conta. Hoje, com essa confusão, reinante no mundo, tudo mudou. Assim, o indivíduo, para realizar uma composição na antiga China, tinha que ter, em mente, a tonalidade em que se
situava o Huang-Chuang, como um diapasão. Mas como era essa tonalidade? Sabia-se que, sendo o processo evolutivo contínuo e mutável, também, o Huang-Chuang mudava. Tinha, então, a pessoa que se afinizar com esse aspecto universal para realizar a sua obra; se não o fizesse, corria o
risco de entrar em desarmonia consigo mesma e, ainda, através de seu som, podia provocar desequilíbrio no próprio meio em que vivia. O Potencial criador do Eterno é expresso pelos sete tons fundamentais, que, no plano em que vivemos, têm sua manifestação sonora nas conhecidas sete notas musicais. Essa projeção de potencial se faz, então, através das chamadas Hierarquias Criadoras, os Construtores do Universo, os Sete Anjos de Presença da Tradição Cristã. Esse potencial sonoro se
diversifica de tal forma, que todos os aspectos da natureza nada mais são do que o resultado final, no mundo objetivo, de todo esse processo de criação. O Professor Henrique José de Souza, fundador da Sociedade Brasileira de Eubiose, deixou isso bem claro quando disse: “A evolução jamais se faria se o Verbo proferisse, sempre, as mesmas palavras”. A Bíblia nos diz que Adão nomeou outros seres – nomeou os animais – e esse nomear tem o sentido de emitir um som. O Adão (ou Adam), aí referido, era um ser superior, capaz de nomear e criar. Hoje em dia, esse potencial criador do som tem sido usado em terapias, e, mais adiante, vamos dar alguns exemplos de como isso pode ser feito.
Como já dissemos anteriormente, algumas civilizações mais tradicionais, como a Chinesa e a Indiana, levaram muito em conta tudo isso, a ponto de, no caso da China, um certo imperador destinar a uma espécie de Ministério a função de manter a música de seu país em concordância com o já citado
Huang-Chuang, ou seja, afinada com essa Vibração Divina. Daí, pode imaginar-se o quanto isso deve ter sido importante para o florescimento da Civilização Chinesa.
Aqueles que têm estudado os aspectos mais ocultos da Música chegaram à conclusão de que a decadência das civilizações tem a ver com a da Música. E isso, hoje em dia, é algo muito preocupante, em função do que se ouve por aí. Enfim, num final de Ciclo, nada de muito bom poderia se esperar. Mas, cremos que, se conseguirmos realizar um trabalho geral de equilíbrio, incluindo a Música, poderemos, de uma forma ou outra, evitar que a decadência seja mais drástica.
Os gregos antigos, também, souberam cultuá-la devidamente. Todos os grandes sábios de então entenderam o quanto ela representava para a Civilização Helênica. Platão, quando percebeu a decadência da mesma e, consequentemente, da civilização, disse em “As Leis”: “Néscios, iludiram-se pensando que não havia certo nem errado em Música, a qual seria julgada boa ou má, de acordo com o prazer que proporcionasse. Através da sua obra e da sua teoria, eles infestaram a massa com a presunção de se considerarem juízes adequados. Acontecia que o critério não era a Música, mas uma
reputação de esperteza promíscua e um espírito de transgressão das leis”. Vemos, então, o quanto essa afirmação nos vale, ainda, hoje. Fazendo-se um estudo histórico dos povos e levando-se,
sempre, em consideração esse aspecto, podemos notar que, quando a música dos mesmos tornou-se caótica, o caos passou a repercutir na estrutura social e política, provocando, por assim dizer, o declínio civilizatório desses aludidos povos. Não podemos negar que as diversas crises que hoje sofremos não tiveram suas raízes numa crise musical, visto que a música que hoje se faz é, de um modo geral, francamente decadente. Cremos que essa música só não é mais prejudicial porque seus criadores a fazem, a fazem mal e, poucas vezes, são conscientes. Deu para perceber que a música, quando executada, atinge determinados objetivos: ela pode prejudicar, revolucionar e elevar o indivíduo. Assim, diríamos que encerra três principais propriedades: a elevação espiritual, o animismo sensorial e o hedonismo.
A Elevação Espiritual é o objetivo de todo o processo iniciático, visando ao aprimoramento de nossas faculdades internas e externas, até. O indivíduo, através de um processo global, pode se acercar desse objetivo. Daí, o tão conhecido “Mens sana in corpore sano”. Quanto à elevação espiritual, cremos que está, totalmente, expressa na música de Bach, Beethoven e Wagner, a tríade, que acreditamos se apoiar a Música Ocidental. Através da música desses compositores, podemos ter os elementos auxiliares num processo iniciático. Não queremos, aqui dizer que a música dos demais compositores sejam menos importantes. Queremos deixar claro que, se fizermos uma análise histórica e filosófica da Música Ocidental, podemos concluir que as coisas aconteceram em torno desses três personagens. A Música que fizeram contém elementos que expressam desde a Criação até a Evolução da Humanidade e seu mundo. A de Wagner, por exemplo, fala basicamente do Homem, da sua problemática, sua construção e sua evolução. A obra de Beethoven está mais relacionada com o aspecto cosmogenético de um modo geral, com a construção do Universo. A de Bach está ligada mais à alma, ao aspecto devocional, religioso, ponto de ligação entre o Eterno e nós; é o que, na Doutrina Yoga, chamamos de Bakti. O Animismo é nosso aspecto puramente emocional. É aquele tipo de Música que nos dá unicamente prazer, um prazer, digamos, mais elevado, não unicamente sensual, até agradável de se ouvir. De um modo geral, aí se enquadram as músicas populares bem elaboradas e muitas das chamadas músicas de grandes mestres. Seria um tipo de música descompromissado com um trabalho mais interno, a música popular, contendo muito desse aspecto sensorial. Se ouvirmos, unicamente, esse tipo de música, certamente, teríamos algum prejuízo, principalmente, levando em conta a nossa Iniciação. Devemos deixar bem claro que esse tipo de música não é, de forma alguma, condenável. Se assim fosse, estaríamos, praticamente, condenando as músicas populares do mundo todo. Ocorre que a audição constante dessa música nos impede de conhecermos o lado mais luminoso de nós mesmos. A música é uma forma de energia que, quando bem trabalhada e orientada, pode, realmente, contribuir para nossa caminhada em direção à espiritualização ou à busca de nosso EU mais interno.

REFERÊNCIAS:

Revista Arte Real
TAME, David. O Poder Oculto da Música. Cultrix

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